Hans Selye descreveu o stress em 1936, em um período entre as duas Grandes Guerras e de avanços científicos muito importantes, de acordo com o autor o stress seria uma resposta de alarme do organismo diante de um estímulo percebido como ameaça ou desafio. A pesquisadora brasileira Marilda Lipp (2020) o definiu como reações adaptativas a alterações orgânicas ou ambientais. O stress prolongado pode gerar desequilíbrios importantes no funcionamento da estrutura do cérebro, especialmente no sistema límbico, sistema que gerencia a resposta fisiológica ao stress (Lipp, 2020), bem como pode levar a problemas cardiovasculares, imunológicos e psicológicos, sendo a ansiedade e depressão como mais incidentes.

Um estudo de 2014 apontou que as principais causas de stress apontadas pelos brasileiros foram: os relacionamentos interpessoais, incluindo relações familiares, amorosas, com colegas e líderes, dificuldades financeiras e sobrecarga de trabalho. Nesse mesmo ano tem início os registros mais consistentes do número de afastamentos por transtornos mentais do Ministério da Previdência Social, estabelecendo seu recorde em 2024, tendo aumento de 67% em relação ao ano anterior, se mantendo em 2025. É preciso ressaltar que o aumento de casos de stress e depressão se deu 2020 em virtude da Pandemia de COVID 19. Em resumo: o número de afastamentos por saúde mental mais que duplicou entre 2014 e 2024, representando um total de 427mil afastamentos, refletindo 30% do total de afastamentos registrados em 2024.

Nesse cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) registrou um aumento de 20% dos investimentos em Saúde Mental no ano de 2024 em relação à 2023, entretanto isso representa apenas 1% da verba total destinada à Saúde, sendo ainda insuficiente para atender a toda a demanda.

Além disso, pensando no impacto para as organizações, não existem ainda dados conclusivos sobre o impacto financeiro que esses afastamentos geram, pois é preciso considerar:

  • Produtividade perdida: Funcionários afastados reduzem a capacidade operacional, impactando diretamente resultados e prazos.
  • Custos trabalhistas e previdenciários: Empresas arcam com parte dos salários nos primeiros dias de afastamento e enfrentam aumento de encargos indiretos.
  • Rotatividade e substituição: A necessidade de contratar temporários ou redistribuir tarefas gera custos adicionais.
  • Clima organizacional: O adoecimento mental afeta equipes inteiras, aumentando o risco de novos afastamentos.

Considerando todo esse cenário, é possível compreender a estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde (OMS) de que cada dólar investido em programas de prevenção e promoção à Saúde Mental mental no trabalho pode gerar até quatro dólares de retorno em produtividade e retenção de talentos gerando vantagem competitiva.

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